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“Se Clodoaldo Pereira da Silva Moraes e eu trocamos dez palavras durante a sua vida, foi muito. Bom dia, como vai, até a volta - às vezes nem isso. Há pessoas com quem as palavras são desnecessárias. Nós nos entendíamos e amávamos mudamente, meu pai e eu. Talvez pelo fato de sua figura emocionar-me tanto, evitei sempre pisar com ele o terreno das coisas emocionais, pois estou certo de que, se começássemos a falar, cairíamos os dois em pranto, tão grandes eram em nós os motivos para chorar: tudo o que podia ter sido e que não foi; tudo o que gostaríamos de dar um ao outro, e aos que nos eram mais caros, e não podíamos; (...) ... - tantas coisas que faziam os nossos olhos não se demorarem demais quando se encontravam e tornavam nossas palavras difíceis. Porque a vontade mesmo era a de me abraçar com ele, (...) afagar-lhe os raros cabelos e prantearmos juntos a nossa inépcia para construir um mundo palpável.”
O fragmento acima é da crônica O Dia do meu pai, de Vinícius de Moraes, mas ela também ilustra minha relação com meu pai, que assim como o de Vinícius, era um “homem pobre mas de ilustre estirpe“ que “descompatibilizou-se com este mundo”, não sem antes ter, “entre outras prebendas encontradas no seu modesto, mas lírico caminho, a de ser meu pai”.
Colorido por
Ana Paula às 10:43 PM -
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