Minhas férias terminaram ontem, mas só hoje voltei para o escritório e quando abri meus emails tive a desagradável surpresa de descobrir que o pai de uma amiga morreu de infarto no dia 4/10. Imediatamente liguei para ela (que era para ser mais uma fornecedora da firma com quem eu lido, mas virou amiga) e foi só dizer algo como “vi seu email só agora; desculpa não ter ligado antes” e minha voz embargou, ela chorou e ficamos as duas, patéticas, falando baixinho, fungando no telefone, tentando segurar a emoção no “ambiente corporativo”. Pedi mil desculpas por ter ligado para consolá-la e ter chorado e ter feito ela chorar. Foi lembrando da sua dor, da insuportável, incalculável, incompreensível dor que ela está sentindo que me lembrei da animação Father and Daughter que assisti na mostra comemorativa do Anima Mundi este ano. Singela e emocionante. Para minha amiga que perdeu o pai, para mim, para minha irmã, para outras amigas órfãs, este vídeo, com carinho.
(P.S.: Acho linda a música. Repara como ela muda ao longo do filme, com a passagem do tempo. Repara também na cena da despedida. Chooooooro.
P.S.2: Um dia, eu ainda vou contar para você a história The heart and the bottle. Um dia.)
Ô sorte!
Hoje eu tinha planejado resolver minhas pendências em Botafogo e fiz um esquema milimetricamente calculado que seria perfeito, não fosse o acaso, o destino, o imponderável. Saí de casa às 15h, toda pimpona, porque ia finalmente à UFRxota buscar o diploma de uma pos-graduação de economia que fiz em 2004. De lá, ia para o Botafogo Praia Shopping sacar umas doletas que sobraram da última viagem no meu VTM. Por fim, ia encontrar Kelly, a gente iria ao cinema, comeria brownie com sorvete porque eu tenho cupom do Peixe Urbano para usar na Brownieria e eu entregaria seu presente de aniversário (que foi 10 de setembro). Aí, esta farra toda terminaria cedo e eu iria à Gávea ver Fafá de Belém cantando “Ah, morenooo... Ah, morenoooo...”. Isso tudo no mundo ideal, né? Olha só o que aconteceu na real:
- O diploma estava com meu nome errado. Não o trouxe.
- A casa de câmbio do Botafogo Praia Shopping não faz saque de VTM. A que faz é no Rio Sul, ou seja, eu estava lá do lado. O pior é que eu liguei para a casa de câmbio do Via Parque, que é a que tenho o telefone, expliquei o que queria fazer e perguntei se tinha uma casa de câmbio na ZS onde eu pudesse fazer o saque. O rapazote indolente que me atendeu me indicou a do Praia Shopping. Pééééé! Resposta errada, meu caro. E quem se fodeu fui eu.
- Era cedo para caralho e Kelly só estaria disponível às 18h.
-Às 18h e blau, Kelly liga e avisa que ia se atrasar porque teve um imprevisto no trabalho. O imprevisto: ela tinha sido enviada para Nova Iguaçu para dar uma aula e ainda estava no caminho de volta de tão longínqua galáxia.
- Chovia para pênis quando Kelly chegou.
- Não comemos brownie porque eu esqueci os cupons do Peixe Urbano em casa.
- Não entreguei o presente à Kelly porque o esqueci em casa.
- Chovia para pênis quando saímos do shopping. Ir para Gávea? Nem fodendo!
Tendo em vista que estamos as vésperas do meu aniversário, a única explicação que vejo para tanto desencontro é meu inferno astral. E na veia!
Book sem faces
Sou nova nessa coisa de facebook, rede social e tal. Eu quase não escrevo nada do que estou pensando lá e tampouco acompanho a vida dos amigos pela rede. O caso é que volta e meia alguém pede para ser “meu amigo” (ainda acho isso bizarro. Parece coisa de criança pedindo ao outro para ser seu amiguinho.). Eu só aceito ser amiga de pessoas que conheço pessoalmente. Se não conheço, deleto no ato. O problema é que tem umas pessoas que eu até conheço pessoalmente, mas pouco e aí não sei se ela é ela mesmo, sacou? Não conheço o sobrenome para saber se é mesmo fulano ou beltrano e a pessoa também não ajuda porque coloca foto de qnd era criança, foto de corpo inteiro, foto da Dilma. .. Tem um monte de gente no limbo esperando que um dia eu consiga ligar o nome à pessoa e descobrir se devo ou não ser sua amiga. Devem me achar uma antipática, louca ou sei lá o que. Que jeito? Não tenho culpa se neguinho é criativo demais e não gosta de colocar seu lindo rostinho em destaque na net. E olha que o nome do troço já diz tudo: FACEbook.
É, parece que voltei a escrever. Vamos ver até quando vai esta vontade desta vez. Sim, eu mudei. Quando comecei com o blog, fazia dele um diário eletrônico mesmo. Contava tudo (ou quase tudo). Dizia o que tinha feito, comido, pensado e sentido. Me expunha demais. Aí, com o tempo, comecei a pensar que, como o blog não tem controle, quando você menos espera, não só os amigos a quem você enviou o link estão te lendo, mas também gente desconhecida. E também tem aqueles não são assim mais tão seus amigos e você preferia que não soubessem da sua vida, mas tem o blog, que escancara tudo (tudo o que você escrever nele, óbvio) para quem quiser ver. Com a tomada de consciência desta invasão permitida de privacidade, resolvi me proteger. Afinal, sou de escorpião, calada, reclusa, na minha. Não sou dos holofotes. O que estava eu fazendo escrevendo tanto sobre mim? Não era eu.
Mudei um pouco o estilo dos posts, parei de falar da rotina, deixei que o blog fosse um diário e transformei-o em um depositório de observações do dia-a-dia que nem sempre tem a ver com a minha rotina, com minha vida.
Estava bem assim, até que Ursulão morreu. Aí, babe, a vontade de ficar na minha aumentou moooito. Por outro lado, o blog foi bom para falar desta dor, desta perda. Dividi com os leitores, com os amigos, os não-tão-amigos assim e os desconhecidos, sentimentos que acabei não dividindo com ninguém cara a cara. Olha que engraçado: se em um momento tive que me proteger da exposição do blog, em outro ele foi meu parceiro para que eu expusesse o que sentia e precisava muito desabafar e não teria vontade/coragem/ânimo de fazer pessoalmente a ninguém. Voltas que o mundo dá. E três vivas à tecno-terapia-de-grupo que alivia as alminhas torturadas!
Passado aquele luto profundo, meus interesses eram outros. Não tinha mais vontade de escrever e sim, de ler blogs. Blogs de decoração. Aluguei um apartamento e pirei na decoração. Até hoje sou leitora diária e voraz de blogs de decoração. Escrevo para as blogueiras, peço dicas, sigo os blogs. Passei a comprar revistas de decoração também. Não chego a me achar em condições de dar dicas a ninguém, por isso não escrevo sobre o tema. Aí, o blog ficou sem sentido: se o que mais interessa neste momento é ler, porque escrever? Escrever sobre o que, se o que me interessa eu não domino a ponto de achar que posso falar sobre? O blog ficou no limbo.
Mas aí deu de novo vontade de escrever.
Pode ser que esta vontade seja passageira ou que dure bastante. Não sei. Só sei que agradeço os emails carinhosos pedindo minha “volta” e digo que “tamos aí”. Pelo menos por enquanto. ; )
Eu faço minha defesa do consumidor
Acho que nasci no país errado. Na cidade, eu tenho certeza. Adoro esta Cidade Maravilhosa, esta São Sebastião do Rio flechado, coisa linda de Deus, encravada entre o mar e a montanha, mas detesto com todas as minhas forças a imagem do carioca gente boa, relaxadão e wannabe favelado com que vendem o Rio (já reparou como todo carioca adora tirar onda de favelado? Adora dizer que veio da favela ou que mora na favela ou que freqüenta a favela e que vai a baile funk c’as nem tudo. É só pra fingir que tamo junto e misturado nesta cidade partida.). E não gosto desta imagem principalmente porque ela se reflete na prestação de serviço e no atendimento no comércio. É tudo improvisado, tudo mal feito, tudo no jeitinho e mesmo quando não tem jeitinho o cara deixa como está porque ele não quer mesmo esquentar a cabeça e o cliente que se foda.
Em maio comprei um notebook na Dell que vinha com um adesivo da Copa. Uau! “Muito lindo” um adesivo verde e amarelo no meu notebook... Perguntei se não teria desconto sem o adesivo. Não. Mas pelo menos podia escolher de uma cor só? Sim. Nem lembro que cor escolhi porque ainda não recebi o produto. A vendedora explicou que ele chegaria depois do note mesmo, que não tinha um prazo de entrega, mas que um dia ele ia chegar. Ela colocou o adesivo em um pedido extra justamente para não atrasar a entrega do notebook, segundo me explicou.
Segunda passada resolvi entrar no site da Dell para ver em que pé estava o pedido e qual foi minha surpresa ao descobri-lo cancelado. Liguei para o atendimento e o pós-venda me disse que sim, o pedido estava cancelado e eles não conseguiam saber o motivo, que a vendedora entraria em contato comigo em 48h. Jacaré ligou? Nem ela. Liguei para a venda e chamei a vendedora que tinha me atendido. Ela disse que não sabia de nada e que eu devia ligar para o pós-venda. Quando expliquei que já tinha passado desta fase do jogo, ela disse “peraí” e me deixou na espera um tempinho. Voltou dizendo que tinha conseguido saber que na semana seguinte o adesivo seria embarcado porque ele era importado. E por que pedido tinha sido cancelado, se a cobrança tinha sido feita no meu cartão de crédito? Ela não sabia. Como também não sabia dizer quando eu receberia o bendito adesivo (certamente depois da Copa, se é que receberia já que o pedido estava cancelado.). Aí, eu disse que queria cancelar o pedido de verdade e o estorno do valor cobrado. Fui passada para outro atendente, claro. Segundo ele, tenho de 20 a 30 para receber o dinheiro pago de volta na fatura do cartão. A conferir.
Ontem me estressei novamente no comércio. Em maio (acho que este não foi um bom mês para compras...), encomendei um cordão na loja Rio Jóias, no Norte Shopping. A venda foi feita dia 31 de maio e paga no cartão à vista, mas o cordão só seria entregue em 20 de junho. “Nós ligamos, se ficar pronto antes.” E se não ficar pronto no prazo? Ah, o cliente que se foda! Pois, eu fui ao shopping hoje, sete dias após o prazo de entrega, e o cordão não estava lá. O mais irritante é a cara da vendedora e da gerente/dona da loja dizendo que não estava pronto e pronto, que o fornecedor não entregou, que tinham outras encomendas que também não ficaram prontas, ou seja, se eximindo da culpa. Eu não comprei do fornecedor, comprei da loja! Não me interessa se o fornecedor não entregou. Eu nem sei quem é fornecedor, então, não é o nome dele que eu vou colocar aqui na internet falando mal, fazendo propaganda negativa, é o da loja, da Rio Jóias do Norte Shopping! Mas a dona não se importa com isso. Que incrível! Não passou pela cabeça da senhoura que teria que pelo menos ligar para os idiotas dos clientes para avisar que o produto, embora pago integralmente, não estava pronto na data acordada. Quando eu disse que ela tinha que trocar de fornecedor, ela disse que só tem este que faz o serviço. Cara, não sabia que tinha encomendado uma coisa assim tão exclusiva. Quem escuta pensa que é uma jóia trabalhada em brilhantes com design exclusivo de algum ourives cego, manco e gago da Letônia.
A Rio Jóias não sabe quando o cordão vai chegar. Fico imaginando se fosse um par de alianças para um casamento. O casal de noivos teria que esperar a boa vontade do fornecedor em entregar o material para se casar?
***
Ah, e o cordão ainda saiu R$5,00 mais caro porque eu fui ao shopping o só para isto e paguei estacionamento à toa.
Mudança? Que mudança?
Hoje eu fui ao III Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, realizado no Vivo Rio, perto do MAM. Aí os palestrantes falaram da necessidade de mudança de comportamento, de redução de produção de lixo, de mudança de padrão de consumo e coisa e tal. Um deles até citou Buda e disse que “nós temos que ser a mudança que queremos no mundo” para esclarecer que a mudança começa no indivíduo. Foi falado também muito da importância das redes sociais, do coletivo. Papo muito bacana, todo mundo aplaudiu concordando. Mas eis que o “eveinto” termina e todas trezentas pessoas que estão lá dentro saem quase ao mesmo tempo e logo forma-se uma fila para o taxi que nos tirará da aprazível localidade onde está o Vivo Rio. Engraçado como que rapidinho teve gente que esqueceu o tinha acabado de ouvir e foi interceptar os taxis que vinham atender quem estava na fila. Não adianta: farinha pouca, meu pirão primeiro. Coletividade é a chapeleta da minha piroca! “Ser a mudança que eu quero no mundo” nem pensar! Que mudem os outros, eu, não. Eu vou continuar querendo me dar bem, nem que seja só pra pegar um taxi.
Tem coisas que não mudam O Detran é uma delas. Desde que me entendo por gente, é uma instituição corrupta e incompetente. Tentaram fingir uma arrumada na casa em meados da década de 90, quando implantaram a vistoria anual, contrataram universitários pra fazê-las, aumentaram o rigor na prova para tirar habilitação. Tudo pra aumentar a arrecadação e manter a corrupção, que como disse um amigo que trabalhou lá na época, foi inflacionada com a chegada dos estudantes do ensino superior, mão-de-obra especializada e gabaritada, que obviamente pode cobrar mais.
*** O lugar já é a visão do inferno. Piso irregular, com paralelepípedos mal conservados, buracos em demasia. Barulho de obra, cheiro de combustível queimado, escritórios montados em contêineres. Isso é o Detran de Vila Isabel.
Marquei de transferir o carro que comprei pro meu nome na segunda. Depois de esperar desde antes das 9h até 11h30, fui informada de que teria que retornar hoje porque o recibo de compra e venda teve a firma reconhecida em São Paulo. Aí, eu tenho que pegar um tal de sinal público, mais ou menos como reconhecer a firma do escrevente aqui no Rio de Janeiro, pro papel ter validade em outro estado – da mesma federação, não esqueça. Tive que ir a um cartório, pagar mais R$ 4,50 por uma etiqueta e voltar lá hoje. Com essa brincadeira, eu perdi minha manhã de trabalho ontem e hoje me atrasei em mais de uma hora.
Claro que tinha aquele famigerado cartaz mal feito colado na parede informando que é crime desacatar funcionário público. E desacatar cidadão, contribuinte? Não é crime, né? É prática comum e vigente em todas as instituições públicas.
Claro também que tinha muito despachante. Pra eles não existe fila. O cara chega com a documentação e entrega na mão do funcionário que a coloca em cima da pilha. Simples assim. Em princípio, o serviço deveria ser descomplicado e desburocratizado justamente para facilitar a vida do usuário, mas se for assim, como fica o leitinho das crianças do despachante? Você que tem dois neurônios e toda a boa vontade do mundo, marca sua vistoria, paga seus DUDAs e perde hooooooooooras na fila porque existe uma figura institucionalizada que agiliza (leia-se: fura fila) os processos com a conivência do órgão.
É nessas horas que lamento não ter ainda meu lança-chamas portátil pra flambar aquela gente.
Desabafo Tem gente que me irrita só pelo fato de existir. A pessoa não precisa estar no mesmo ambiente que eu pra me irritar. Só de sabê-la habitante do planeta Terra, é o bastante para odiá-la. E se sou obrigada a olhar pra cara, então, tenho azia. Argh!