Quem vos escreve

 

Nome : Ana Paula

Idade : 33 anos

Onde : Rio de Janeiro

Signo : Escorpião

Atualmente: Solteira

Profissão : R.P.

 

 

 

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Eu uso Blogger para escrever!!!
wquinta-feira, novembro 04, 2010


Minhas férias terminaram ontem, mas só hoje voltei para o escritório e quando abri meus emails tive a desagradável surpresa de descobrir que o pai de uma amiga morreu de infarto no dia 4/10. Imediatamente liguei para ela (que era para ser mais uma fornecedora da firma com quem eu lido, mas virou amiga) e foi só dizer algo como “vi seu email só agora; desculpa não ter ligado antes” e minha voz embargou, ela chorou e ficamos as duas, patéticas, falando baixinho, fungando no telefone, tentando segurar a emoção no “ambiente corporativo”. Pedi mil desculpas por ter ligado para consolá-la e ter chorado e ter feito ela chorar. Foi lembrando da sua dor, da insuportável, incalculável, incompreensível dor que ela está sentindo que me lembrei da animação Father and Daughter que assisti na mostra comemorativa do Anima Mundi este ano. Singela e emocionante. Para minha amiga que perdeu o pai, para mim, para minha irmã, para outras amigas órfãs, este vídeo, com carinho.


(P.S.: Acho linda a música. Repara como ela muda ao longo do filme, com a passagem do tempo. Repara também na cena da despedida. Chooooooro.

P.S.2: Um dia, eu ainda vou contar para você a história The heart and the bottle. Um dia.)

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Colorido por Ana Paula às 11:12 PM -


wdomingo, outubro 10, 2010


Dilma 13
Nestas eleições, senti falta de Ursulão. Ele nunca reclamou da obrigatoriedade do voto e sempre sabia em quem votar e porquê. Ele sabia tanto em quem votar que tinha sempre mais de um candidato, pelo menos para vereador e deputado que tem mais “oferta”, digamos. Aí, nas eleições para deputado e vereador, ele anotava em um papelzinho o número do candidato em quem a gente devia votar. Podia ser o dele, mas geralmente era outro. Eu sacaneava: “Isso é voto de cabresto”. Ele ficava puto e dizia que era só uma sugestão, se não quisesse votar que não votasse e blábláblá.


A gente ainda ia junto para zona (eleitoral, eu digo). Votávamos na mesma escola. Era quase um programa em família porque minha mãe também votava lá. Uma vez, a seção da minha mãe era no último andar e não tinha elevador e Vagareza já estava com seus joelhos comprometidos de artrite-artorse-reumatismo e não pôde votar. Ele achou um absurdo não ter uma opção para quem não pudesse subir escadas. Vagareza achou ótimo porque daí em diante não foi mais votar. Pela idade, ela já estava liberada do voto. Ele também, mas votava ainda. E teria votado em 3/10 e votaria agora dia 31. Votaria em Dilma, com muito prazer. Por Ursulão e pelo Brasil, eu também voto.


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Colorido por Ana Paula às 11:00 PM -


wdomingo, agosto 09, 2009


Feliz dia dos pais

Olha as minhas meninas
As minhas meninas
Pra onde é que elas vão
Se já saem sozinhas
As notas da minha canção
Vão as minhas meninas
Levando destinos
Tão iluminados de sim
Passam por mim
E embaraçam as linhas
Da minha mão

As meninas são minhas
Só minhas na minha ilusão
Na canção cristalina
Da mina da imaginação
Pode o tempo
Marcar seus caminhos
Nas faces
Com as linhas
Das noites de não
E a solidão
Maltratar as meninas
As minhas não

As meninas são minhas
Só minhas
As minhas meninas
Do meu coração

As minhas meninas - Chico Buarque

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Colorido por Ana Paula às 6:11 PM -


wdomingo, agosto 31, 2008


Pé do meu samba
Caetano Veloso

Dez na maneira e no tom
Você é o cheiro bom
Da madeira do meu violão
Você é a festa da Penha,
A feira de Sao Cristovão,
É a Pedra do Sal
Você é a Intrépida Trupe
A Lona de Guadalupe
Você é o Leme e o Pontal

Nunca me deixa na mão
Você é a canção que consigo
Escrever afinal
Você é o Buraco Quente
A Casa da Mae Joana
É a Vila Isabel,
Você é o Lago do Estácio,
Curva de Copacabana
Tudo que o Rio me deu!

Pé do meu samba
Chão do meu terreiro
Mão do meu carinho
Glória em meu Oteiro
Tudo para o coração
De um brasileiro.

****
Ano passado, nesta data, eu enterrei meu pai. Enquanto ia pro cemitério no banco de trás do carro do meu irmão, ia cantarolando mentalmente esta música. Não sei porque. Até então, ela não tinha nenhum significado especial para mim, nenhuma preferência, apesar de já achá-la linda. Agora, ela é uma lembrança e uma homenagem a meu pai, que era sem dúvida o "chão do meu terreiro".

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Colorido por Ana Paula às 7:55 PM -


wsegunda-feira, abril 07, 2008


Histórias de Ursulão
Minha irmã levou o carro no eletricista e ele:

– Você é filha do “Seu” Osíris*, né?
– Não, sou filha do Ursulão.
– Era dele mesmo que eu estava falando. É que eu nunca guardei o nome dele e o chamava de Osíris e ele atendia.

* Nome de um primo meu que apresentou meu pai ao eletricista.

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Colorido por Ana Paula às 9:08 PM -


wsexta-feira, março 07, 2008


O que teria sido
Dia 4 de março teria sido aniversário de Ursulão. Ele teria feito 72 anos. Eu teria chegado de viagem, como cheguei, e encontrado a varanda – que ele ampliou pra receber melhor os eternos convidados que a gente tinha em casa – cheia, todos os primos e tias lá. Cachorro-quente e refrigerante na mesa. Uns pastéis porque ele adorava. O almoço, na certa, teria sido Angu à Baiana. O telefone teria tocado algumas vezes. Eram os tios e primos que não vieram e os amigos distantes para dar os parabéns. Mas quando eu cheguei havia até um certo movimento na varanda: minha mãe, irmã, irmão e Lara conversavam. Não tocamos na data e pouco tempo depois de eu ter chegado, eles foram embora. Uma amiga tinha dito que pior que Natal, Ano Novo, Páscoa, é o aniversário da pessoa que morreu porque não há mais o que se comemorar. Ela tem sua razão.

***
Tem gente que ao ouvir alguém falar bem de quem morreu (mal)diz: "Depois que morreu, virou santo". Né, não. É que infelizmente a gente tem a péssima mania de só enxergar os defeitos das pessoas e se esquece de reparar em tudo de bom que ela faz e representa. Aí, quando a pessoa nos falta, falta também o cuidado, o respeito e a admiração que a pessoa tinha pela gente e que se expressava em atitudes corriqueiras e nada, nada grandiosas.

***
Ele era velho e era um mestre.
Eu era jovem e era discípula.
Ele mestreou e ela aprendeu.
E dessa escola ninguém ouviu falar.

Ele se foi sem saber que era um mestre.
Ela ficou, sem saber que foi discípula.
Só muito depois, compreendeu
E já era tarde.

(fragmento de A fala de Aninha (várias...), de Cora Coralina

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Colorido por Ana Paula às 11:29 PM -


wterça-feira, fevereiro 19, 2008


Fidel renunciou.
Ainda bem que Ursulão não viveu para ver isso.

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Colorido por Ana Paula às 10:40 PM -


wsegunda-feira, janeiro 07, 2008


Feliz 2008
E não que 2007 acabou?!?!?! Graças a Deus! Tava demorando! Pela primeira vez em muito tempo, eu estava animada para um Reveillon. Era como se, ao virar o ano, tudo de ruim de 2007 acabasse e a vida voltasse a ser como antes, com Ursulão me dando histórias pra este blog. Infelizmente não foi assim, mas só de ver que 2007 ficou pra trás, que eu fui mais forte que ele, que eu, apesar de muito machucada, venci, foi uma felicidade.

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Colorido por Ana Paula às 9:37 PM -


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Pensei que seriam mais sofridas as primeiras festas de final de ano sem meu pai. Minha mãe chorou muito, mas, de maneira geral, acho que suportou bem. Não é nas comemorações que a gente sente mais falta de uma pessoa. É no dia-a-dia que a ausência se faz “presente”, pode-se dizer. O café da manhã que eu faço e tomo sozinha. O portão que permanece fechado. O carro que eu tiro da garagem, vejo a água e o óleo (na verdade, ainda não me acostumei a vigiar estes itens). O pára-brisas que está sempre sujo. Os Cds do Chico que nunca mais tocaram. Os DVDs do Chaplin que estão guardados. Um filme que eu vejo ou uma reportagem que leio e não tenho com quem comentar. O livro do Niemeyer que eu comprei pra mim, mas que seria um ótimo presente de Natal pro meu pai. A TV que fica ligada pro sofá e pras paredes nos ilude e nos faz pensar que tem mais alguém na sala. As compras que eu tenho que fazer. Ah, essas malditas compras! Coisa mais chata ir ao mercado. E meu pai ia quase todo dia, então, a gente nem notava total falta de planejamento da minha mãe que deixa até faltar papel higiênico. O cotidiano é pior que muito Natal.

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Colorido por Ana Paula às 9:37 PM -


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Para rir
Mas se este ano não teve histórias de Ursulão, ano passado só deu ele no Natal! Se eu fosse você ia lá no arquivo ler. Vale a pena.

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Colorido por Ana Paula às 9:36 PM -