Tem coisas que não mudam O Detran é uma delas. Desde que me entendo por gente, é uma instituição corrupta e incompetente. Tentaram fingir uma arrumada na casa em meados da década de 90, quando implantaram a vistoria anual, contrataram universitários pra fazê-las, aumentaram o rigor na prova para tirar habilitação. Tudo pra aumentar a arrecadação e manter a corrupção, que como disse um amigo que trabalhou lá na época, foi inflacionada com a chegada dos estudantes do ensino superior, mão-de-obra especializada e gabaritada, que obviamente pode cobrar mais.
*** O lugar já é a visão do inferno. Piso irregular, com paralelepípedos mal conservados, buracos em demasia. Barulho de obra, cheiro de combustível queimado, escritórios montados em contêineres. Isso é o Detran de Vila Isabel.
Marquei de transferir o carro que comprei pro meu nome na segunda. Depois de esperar desde antes das 9h até 11h30, fui informada de que teria que retornar hoje porque o recibo de compra e venda teve a firma reconhecida em São Paulo. Aí, eu tenho que pegar um tal de sinal público, mais ou menos como reconhecer a firma do escrevente aqui no Rio de Janeiro, pro papel ter validade em outro estado – da mesma federação, não esqueça. Tive que ir a um cartório, pagar mais R$ 4,50 por uma etiqueta e voltar lá hoje. Com essa brincadeira, eu perdi minha manhã de trabalho ontem e hoje me atrasei em mais de uma hora.
Claro que tinha aquele famigerado cartaz mal feito colado na parede informando que é crime desacatar funcionário público. E desacatar cidadão, contribuinte? Não é crime, né? É prática comum e vigente em todas as instituições públicas.
Claro também que tinha muito despachante. Pra eles não existe fila. O cara chega com a documentação e entrega na mão do funcionário que a coloca em cima da pilha. Simples assim. Em princípio, o serviço deveria ser descomplicado e desburocratizado justamente para facilitar a vida do usuário, mas se for assim, como fica o leitinho das crianças do despachante? Você que tem dois neurônios e toda a boa vontade do mundo, marca sua vistoria, paga seus DUDAs e perde hooooooooooras na fila porque existe uma figura institucionalizada que agiliza (leia-se: fura fila) os processos com a conivência do órgão.
É nessas horas que lamento não ter ainda meu lança-chamas portátil pra flambar aquela gente.
Vão-se os anéis... ... fica o TOC. Meu caso de TOC, que sempre tratei como brincadeira, fica pior a cada dia. Hoje eu fui trabalhar sem anel. Sem meu querido, lindo, grande, amado e estimado anel de prata com marcassita que levo sempre na mão esquerda. Parecia que eu estava nua.
Quando tamborilei os dedos no volante ao som do primeiro acorde do primeiro samba do dia e não ouvi o “retorno”, quase dei meia volta pra buscar meu acessório de última necessidade. Mas como eu ainda tinha que ir pagar penitência no Detran, contei até dez, fiz respiração cachorrinho e segui caminho.
Na hora do almoço, pensava em me jogar numa loja pra comprar um anel. Fui salva pela companhia de uma calega que me distraiu e me fez poupar várias mariolas.
Mas à noite, quando estava em um evento a trabalho, o TOC voltou com tudo. Sentia minha mão leve, ficava mexendo nas unhas, nos dedos. Estava muito desconfortável. Tá, podia ser um pouco de timidez e constrangimento por estar em um ambiente lotaaado onde conhecia apenas duas pessoas e era apresentada a praticamente todos os passantes, mas eu senti falta do anel.
Cuidado, galera: qualquer hora eu só vou querer usem azul perto de mim.
TOC, TOC, TOC Outra ocasião que me fez pensar que meu TOC fictício poderia ser verdade foi quando descobri que o carro que comprei não tem limpador de vidro traseiro. Claro que eu não reparei isso na hora da compra. Meu foco era direção hidráulica, então podia ser o carro dos Flinstones com DH que tudo bem. Só em um dia de chuva, óbvio, que eu “descobri” que ele não tinha limpador atrás.Ô tormento. Eu tinha vontade de sair do carro e ir lá limpar o vidro quando parava no sinal. Ainda bem que não fiz isso ou iam me internar, mas confesso que fiquei muito agoniada vendo aquele vidro todo molhado e a imagem do carro atrás completamente embaçada. Como alguém consegue dirigir assim? Bom, conseguindo, né? Agora até eu consigo. A duras penas, me contorcendo toda, mas consigo.
O melhor da dor-de-corno Mais uma de Chico Buarque pra fechar a trilogia do compositor sobre a temática da dor-de-corno. "Eu te amo", uma parceria de Chico e Tom, é elegante e classuda. Nada de separar os talheres, as roupas de cama, apenas a perplexidade diante do fim do amor. “Como, se nos amamos feito dois pagãos?”
“Eu mereço!” - o mal do século XXI (e de todos os outros) Uma conhecida ia começar em um novo emprego na segunda. Como a empresa ficava na Barra, longe da casa dela, ela resolveu comprar um carro. No domingo, estava correndo lojas atrás de um Fox 2005 para comprar financiado, dando uma entrada de R$ 3.000,00.
Se daqui a alguns meses ela tiver que entregar o carro, vai dizer que está em depressão, que Deus é mau pra ela, que não dá sorte na vida, que é uma infeliz que vai ter que amargar horas nos ônibus sacudindo até a Barra da Tijuca. Mas eu acho que isso não tem nada a ver com Deus ou má sorte. É só imprudência e falta de maturidade para lidar com dinheiro.
Esse o mal do povo. Ninguém quer começar de baixo. Ninguém quer dar o passo do tamanho da perna. Todo mundo quer o bom e o melhor porque merece. Ora, merecer muita gente merece, mas daí a conseguir arcar com os custos do seu “merecimento” é outra história. Eu, por exemplo, mereço muita coisa, só não mereço viver atolada em dívidas. Por que comprar um Fox 2005 quando se tem só R$ 3.000,00 para dar de entrada? Aliás, por que comprar um carro, se você nem passou dos três meses de experiência no novo emprego? Bom, mas essas são perguntas que não me cabem porque eu tenho um carro 2000 que comprei à vista e um emprego relativamente fixo.
Aliás e a propósito Eu tenho que parar com essa mania de levantar questões para assuntos que não são meus. Às vezes, eu solto umas que as pessoas não esperam ou porque não tinham mesmo pensado no assunto ou porque pensaram, resolveram agir de outra forma e nunca esperavam que alguém trouxesse à baila uma ponderação tão pertinente e óbvia. Exemplo: calega enlouquecida para ter um filho desabafa na mesa do bar: “Contei pro meu marido que estava no período fértil e ele não me comeu”. E eu: “Você já parou pra pensar que ele pode não querer um filho?” A wannabe mamãe ficou bege. Aí eu me pergunto: o marido é meu? O casamento é meu? Sou eque quero ter um filho? Nããããão! Então, por que ser tão lúcida e sensata? Assim, eu acabo sendo a palpiteira chata, inconveniente e estraga prazer.
Para sempre Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.
Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.
Ô que sorte! Logo hoje que eu tinha que tirar foto para um documento, amanheci com uma espinha na ponta do nariz. Linda de viver.
Como Deus é pai, não é padrastro, o cabelo amanheceu como se tivesse saído de um salão. Mais esperta que a maioria dos ursos, fui tirar a fotita de cabelo sujo, porém, bonito.
Consegui tirar o pus da espinha, mas o vermelhão, impossível. Pareço a rena do nariz vermelho na foto.
Ainda bem que ninguém fica bem mesmo em foto de documento.
Mais um mané Abril foi uma festa, mas maio também promete muito manés pra animar nossos papos de bar.
Depois do padre que voa com bola de festa e do "fenômeno" que pega traveco na rua, o garotão levou seu 4x4 pra passear na beira da praia e ficou atolado. O carro – alienado, ou seja, o bonitão não terminou de pagar o financiamento – ainda foi banhado pelas ondas da ressaca. A água salgada deve ter estragado o motor todo. Será que o seguro dele cobre burrice?
Secreções e afins Ontem saiu uma reportagem sobre retiro iogue na Revista O Globo. Ficar em silêncio durante dez dias (com exceção das palestras, quando era permitido fazer perguntas) não me apetece nem um pouco, mas confesso que salivei com o ritual de purificação. Não fosse o fato de ser feito às 4h30 da manhã, eu ia adorar vomitar gosma em jejum, lavar minhas narinas até expelir bastante muco e fazer – a cereja do bolo – enema! Sou louca por enema! Enema é simplesmente introduzir uns 2 litros de líquido (não sei se é só água) no cu e esperar pela revolução que isso causa lá dentro. E nem precisa esperar tanto: a reação é quase imediata e você põe pra fora tudo que, literalmente, te enfezava. Espero um dia gozar do prazer desta sensação.
Vocês vão achar que eu sou maluca, mas lembro perfeitamente do alívio que senti quando tive um furúnculo enorme nas costas e minha irmã (uma carniceira! Ela, sim, gosta da secreção dos outros.) conseguiu espremê-lo. Como foi bom sentir aquele peso saindo das minhas costas!
Gosto também de tirar o excesso de pele dos pés. Vou ao podólogo todo mês e fico fascinada com quantidade de pele que fica na bandeja dele. Aquilo tudo saiu de mim!
Limpeza de pele é um sofrimento quase insuportável, mas o resultado é maravilhoso! Saber-me livre de todos aqueles cravos faz meus olhinhos brilharem.
Eu não tenho o menor nojo de secreções e afins. Das minhas, que fiquei claro. Adoro quando elas saem de mim. Me sinto leve. Detesto a sensação de entupimento, seja de nariz ou de intestino. Acho que como sou uma pessoa muito fechada, tenho tendência a acumular emoções e me sinto aliviada quando consigo colocá-las para fora, nem que seja em forma de sebo, pus, catarro ou merda.